Julia Hipolito Usui


Qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis?

Iniciei colaborar na formação de times ágeis em 2008, no INDT-Instituto Nokia de Desenvolvimento Tecnológico, na época como Analista de projetos com formação em gestão de projetos tradicional (Waterfall), passei atuar como Scrum Master onde juntos desenvolvemos soluções de aplicativos móveis, e jogos embarcados nos aparelhos celulares Nokia.

Em 2009 me tornei CSM pela Maximus, em 2011 PSM pela Lambda3, 2012 fiz Management 3.0 pela Adaptworks, 2014 Kanban professional e CSPO pela K21. Um de meus maiores desafios foi ter conduzido o processo ágil em times de desenvolvimento de TV Digital móvel, onde pude fazer experimentos Scrum of Scrum, com SMs de 3 times de desenvolvimento diferentes e que juntos fazíamos parte do primeiro aparelho Nokia com tv digital integrada, (Lumia 640). Um grande marco nosso no mercado.

Como Scrum Master, fiz parte do processo de transformação ágil do INDT, apoiando como time na tomada de decisão da empresa e implantação do framework Scrum, na época definido como nosso processo padrão para desenvolvimento de projetos de 2008 até 2012. Ainda no INDT, fui promovida a coordenadora técnica 2012 a junho 2018, atuando com experimentos híbridos de Scrumban, Kanban a nível organizacional e desenvolvimento de soluções do ramo de pagamento, e Lean startup em co-desenvolvimento de produtos em duas startups (Safelatina e Pluga-e).

Em julho deste ano, recebi o convite para o desafio de iniciar a transformação ágil no SIDIA- Samsung Instituto de Ciência e tecnologia, atuo como coach a nível organizacional com áreas de suporte e de desenvolvimento de soluções móveis para produtos Samsung e outros. A estratégia para este semestre que está prestes a encerrar foi de atuação forte em capacitação e amadurecimento dos papéis ágeis. Atuo com 80% do times rodando Scrum, e 20% Kanban, estamos fortalecendo a maturidade dos times rodando os frameworks sendo críticos ao contexto Sidia, o que tem valor para nossa realidade.

Sobre eventos na comunidade, em 2010, tive minha primeira palestra aceita no Agile Brazil, falando sobre o papel do Scrum Master, em 2014 palestrei no Regional Scrum Gathering India, falando sobre Facilitação e em 2015 palestrei esse mesmo tema no Scrum Gathering Rio. Essas experiências foram enriquecedoras e me trouxeram grandes referências ágeis no Brasil, como Manoel Pimentel, Paulo Caroli, Rodrigo Toledo e Garrido.

Em 2018, conduzi a realização do Agile Day, 1o. evento aberto da comunidade ágil em Manaus, com a presença do Paulo Caroli como palestrante convidado e fui Chairman da trilha de agilidade na Feira do Polo Digital de Manaus, com a presença do Raphael Albino e Avelino como palestrantes convidados. Tenho participado da comunidade ágil local, promovendo os Meetups com meus colegas Alexandre Amorim, Diogo Riker e Lucas Gomes, sempre em busca de compartilhamento de conhecimento e experimentos ágeis.

O que você planeja aprender ou explorar nesse Camp?

Gostaria de aprender sobre Agile Enterprise, tenho lido sobre essa tendência, mas gostaria de me aprofundar no tema.

Qual é o maior desafio para a comunidade ágil nos próximos 5 anos e por que?

Acredito que um dos maiores desafios atualmente é a análise de contexto organizacional, me refiro ao desafio de entendimento de que praticar ágil é diferente de ser ágil, minha realidade em meu atual desafio é ter times rodando ágil, mas não ter a diretoria aberta a mudanças de escopo e baixa tolerância a falhas. Apesar de existirem times estruturados, a diretoria de portfólio ainda é tradicional e orientada a contratos com escopo fechado. É aí que vejo o desafio para comunidade, atuar nesta camada mostrando que ser ágil, não são práticas e sim cultura, e que a agilidade emerge quando a cultura vem antes das aplicações de práticas ágeis, vai muito além de times usando Scrum e Kanban.

Ainda existe modismo da Agilidade como a solução sem avaliar o que de fato é aplicável para aquela organização, mercado ou produto. Ouço relatos de amigos na comunidade ágil local chamada @agilemanaus, que há modismos para utilizar ágil na solução de problemas complicados, apenas seguindo prescrições e sem necessidade para adaptações, ou seja, sabem o que querem, e dizem o como chegar lá, diferente do contexto complicado, onde moram algumas abordagens ágeis.

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