Lina Horiguchi


Qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis?

Entre 2015 a 2017 ajudei a implementar o scrum em um projeto piloto na então CETIP, uma empresa tradicional do mercado financeiro. A Cetip como um todo e especificamente na Unidade de Financiamentos em que estava alocada, a metodologia de desenvolvimento de produtos era tradicional - seguia-se um planejamento waterfall, com áreas funcionais segregadas,iniciando-se em especificações completas de um projeto antes de começar o desenvolvimento em si. Dado o contexto de negócios na época, tiveram alguns aspectos de "sorte"que me ajudaram muito a adotar um piloto de metodologia ágil no meu projeto: as áreas de produtos, de operações e de de desenvolvimento estavam em uma mesma diretoria e o projeto era muito estratégico para a companhia, facilitando a mobilização de um time funcional em prol de um objetivo comum - construir uma plataforma de registro eletrônico das garantias para o financiamento imobiliário. . O meu papel dentro deste time piloto era de liderar o time composto inicialmente de produtos, jurídico, operações e de desenvolvimento e as principais responsabilidades eram: dar contexto de negócios ao time; construir um roadmap entre os diferentes envolvidos e alinhar expectativas; quantificar a dificuldade técnica de cada implementação e planejar cada sprint e fazer a intermediação com a superintendência e a área comercial. Passamos juntos construindo o produto partindo do entendimento da nova normativa e o que poderia ser feito, prototipação e um validação do mesmo com um cliente parceiro, desenvolvimento da plataforma e muitas fases de POC (prova de conceito) com diversos cartórios de imóveis no estado de São Paulo, POC com potenciais clientes e a primeira venda em produção para um cliente. Além disso, estávamos em contato constante com a associação que representava potenciais clientes da época. Vim para o Nubank em meio de 2017, inicialmente como Business Architect. O nubank, diferentemente da Cetip, tem em seu DNA a agilidade e entregas incrementais em estruturas multifuncionais. As principais responsabilidade o acompanhamento e dimensionamento da equipe de atendimento para garantir a melhor experiência do nosso cliente que entrava em contato; estabelecer processos da área de atendimento e garantir que o feedback era levado para squad de maneira a pensarmos em features que garantisse o auto-service, se possível; auxiliando na gestão de projetos e entregáveis de algumas campanhas do squad (ex. black friday e atualização da política de privacidade). Ao final de 2017 entrei em um squad novo, na época estavam iniciando o empréstimo pessoal e ,ainda como business architect, fiz um deep dive regulatório de como funciona o ciclo do crédito, amortização e IOF relacionado ao produto. Início de 2018 criamos uma taskforce para focar na calculadora, no contábil e nos reportes regulatórios, momento em que migrei para uma função de produtos. Desde então sou responsável pelo roadmap do squad, hoje com 10 engenheiros, e também atualmente com o chapéu de squad lead, fazendo muito uma ponte entre o time e a liderança da tribe.

O que você planeja aprender ou explorar nesse Camp?

Gostaria de aprender e a trocar experiências de como escalar times mantendo a agilidade e consistência de produtos; a como lidar com interdependências (de negócios e tecnológicas) em ambientes cada vez mais complexos e em como manter a cultura e o engajamento de equipes ao mesmo tempo que se busca crescimento.

Qual é o maior desafio para a comunidade ágil nos próximos 5 anos e por que?

Vejo que a comunidade ágil amadureceu muito nos últimos tempos, já sendo adotada por muitas e muitas empresas. Acredito que nos próximos cinco anos temos o desafio de evoluir e desenvolver ainda mais a metodologia, processos e ferramentas de trabalho. Algumas questões que gostaria de estar ativamente resolvendo nos próximos cinco anos são: ·Como equilibrar o modelo ágil em times multifuncionais que já não são autônomos como antes e precisam lidar com dependências de outros times? ·Como gerir equipes ágeis com funções cada vez mais diversas? e como manter equipes enxutas com a crescente necessidade do business? ·Como manter critérios estratégicos de priorização, visando equipes enxutas eficientes, com o crescimento do negócio e do portfólio? ·Até que ponto manter a estrutura matricial e onde podemos abrir mão para algumas funções mais horizontais? Qual é o trade-off para a cultura da empresa? ·Como escalar times numa estrutura ágil? Como adotar uma estrutura que suporte times remotos de tal forma que continuem entregando resultado de forma ágil? qual o trade-off entre crescimento e cultura? ·Como treino as pessoas com ferramental de maneira consistente e produtiva, dado que em algum momento preciso contratar pessoas com domínio técnico mas que não tem o repertório ágil? Essas são os desafios que gostaria de superar nos próximos anos, de tal forma a se tornar um método consistente não só para empresas pequenas, startups, mas que funcione também para grandes estruturas, unidades de negócios, indústrias diferentes e quem sabe até em instituições transacionais.

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