Marcely Santos


Qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis?

Boa parte da minha vida profissional foi atuando como analista de negócios/ sistemas em duas fábricas de software. Nessas duas empresas tive a oportunidade em paralelo ao papel de analista de participar da institucionalização de modelos de qualidade como CMMi, MPS BR para implementação de processos de desenvolvimento de software baseados no RUP e nos requisitos da ISO 9001. Me tornei especialista em implementação, gestão de processos e garantia da qualidade. Me tornei auditora líder ISO (International Organization for Standardization), fiz curso de CMMI (Capability Maturity Model Integration) e passei na prova para implementadora MPS-BR (Melhoria de Processo de Software Brasileiro). Passei um tempo trabalhando com garantia da qualidade fortemente. Essa oportunidade me deu um experiência muito boa sobre definição de processos, dia a dia de outros papéis que não era o meu e seus desafios de adaptação quando algo fugia do que estava escrito nos processos. Em ambas empresas a maioria dos clientes eram do governo. Isso obrigava que tivéssemos um controle e padronização de forma excessiva do que o time executava.

Conheci agilidade em 2007 e então os conceitos ágeis faziam mais sentido em tudo para mim! E ele não cabia mais naquela forma de trabalho e muito menos na interação do time, na gestão de pessoas e projeto e muito menos na cultura organizacional. Em 2007, ainda, fiz um curso de Scrum com Boris Gloger. A ideia era implementar Scrum no processo definido da empresa que eu trabalhava na época e assim fizemos. O controle continuou, afinal a empresa era certificada em modelos de qualidade. Pensa no desafio de usar agilidade, tendo que gerar evidências objetivas. A burocracia continuou. Grandes conversas com as empresas que vinham nos avaliar e convencer de que era resultados gerados das atividades. Os projetos tinham o objetivo de desenvolver software usando métodos ágeis, mas na verdade usamos apenas práticas ágeis internamente na etapa de implementação. Para o cliente a interação continuava tradicional. Documentos de requisitos e Casos de uso gigantes. Imagina as entregas. Tenso!

Deixei de trabalhar com a área de qualidade na época, para trabalhar apenas como analista de negócios e me tornar uma analista de negócios ágil. E então comecei a aplicar nos meus projetos o que dava das práticas ágil de negócio. Visão do produto mínimo, aplicar os conceitos de fatiar, priorizar e descartar. Entender o real papel do PO. Além de trabalhar a escrita de histórias, conhecer as persona, escrever as jornadas dos usuários, entregas de valor, entregas contínuas, trabalho colaborativo, pareamento, etc.

Em 2013 conclui minha formação de Coach, a qual fui buscar porque nos papéis de liderança que assumi queria ser uma líder diferente e cuidar melhor das pessoas nas quais interagia. Abri minha empresa de desenvolvimento de pessoas e organizações com mais dois sócios. Isso me deu uma bagagem de gestão e cultural organizacional bem bacana.

Em 2015 sair da empresa que estava e vim para a ThoughtWorks. A TW já possui uma cultura ágil e foi onde consolidei e expandi meus conhecimentos de ágil e pude realmente aplicar de forma efetiva além do Scrum. Na TW, atualmente estou como Project Manager onde posso trabalhar uma gestão distribuída e colaborativa, posso trabalhar a autonomia do time, trabalho colaborativo e em equipe. Gerando um ambiente seguro para erros e aprendizados, feedbacks construtivos, ajudando meu time a fazer o seu melhor trabalho e assim garantindo a cadência de entregas o projeto.

Desde 2006 sou professora acadêmica de graduação e pós, ministrando disciplinas e cursos de agilidade. Estou sempre muito envolvida na comunidade. Já organizei e palestrei em grandes eventos da comunidade ágil.

O que você planeja aprender ou explorar nesse Camp?

Hoje meu foco está muita na gestão ágil. Gostaria de aprender e a conversar sobre novos modelos de gestão e seus desafios.

Qual é o maior desafio para a comunidade ágil nos próximos 5 anos e por que?

Acredito que ainda existe o desafio de compreender valores, princípios e conceitos da agilidade. E muitas vezes os agiles coaches responsáveis por isso estão ainda muito pouco preparados , gerando entendimentos equivocados dos reais valores que a agilidade traz. As pessoas querem receita de bolo, em vez de mudar o mindset. O desafio está em entender que a mudança está em pessoas que fazem a organização. O desafio será o que fazer diferente para tentar mudar isso

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