Mário Melo


Qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis?

Fundei a Facta Tecnologia em 2011 e busquei me aprofundar em agilidade para poder ajudar minha própria empresa. Minha principal motivação foi a dificuldade que encontramos para gerenciar o escopo de nossos primeiros grandes projetos. Foi aí que me inscrevi no curso de Certified ScrumMaster ministrado pelo Michel Goldenberg. Lá consegui entender os principais problemas que enfrentava na Facta e pensar em algumas possíveis soluções.

Após ver bons resultados na Facta em função da mudança de abordagem dos projetos, convidei o Michel para ministrar uma turma de Certified Scrum Product Owner no escritório da Facta para todos os sócios. Novamente aprendemos muito e vimos resultados muito rápidos em projetos que até então eram considerados problemáticos. Começamos a vender projetos por Sprints e o modelo foi bem aceito pelo mercado. Em 2013 fui convidado pela GoToAgile para ser um dos primeiros trainers da certificação CSD no Brasil.

Pela GoToAgile, facilitei workshops de CSD de 3 e 5 dias e certifiquei profissionais da Nokia, Siemens, FPF Tech, entre outros. Através de uma parceria com a Scopphu, uma empresa de Portugal, pude repetir estes workshops e certificar profissionais de empresas como Siemens e Outsystems em Portugal.

Além das certificações CSD executei também muitas formações sobre scrum, team building, estimates, etc. A maior parte dessas formações acaba despertando nas equipes a vontade de ter um coach para ajudá-los na transição, e exerci bastante este papel tanto em Portugal quanto no Brasil.

Embora possua um background muito técnico, passei os últimos anos tentando aprimorar minha maneira de facilitar o aprendizado. Aprendi facilitação visual, eliminei os slides de apresentações e criei dinâmicas e workbooks (que já atualizei algumas vezes) para meus treinamentos. Adaptei todo meu material para utilizar conceitos de Training from the back of the room e Learning 3.0. E tenho gostado muito desta jornada!

O que você planeja aprender ou explorar nesse Camp?

Gostaria de explorar e compartilhar maneiras lúdicas de ensinar conceitos de agilidade para pessoas que tiveram pouco ou nenhum contato com o tema. Participei do #play14 no Porto, um evento que se encaixa bem com essa temática, e lá pude apresentar um jogo que criei para ajudar a explicar conceitos de Team Building. Além disso, pude ver como outros coaches de diversas áreas utilizam este tipo de recurso para acelerar o processo de aprendizagem. Foi uma experiência sensacional e é definitivamente algo que gostaria de explorar mais por aqui.

Acredito que os primeiros passos são os mais difíceis, importantes e reveladores, e por isso merecem uma atenção especial. Acho a combinação de pessoas inexperientes com jogos poderosíssima por criar um ambiente seguro onde é possível falhar e aprender com isso sem maiores consequências.

Qual é o maior desafio para a comunidade ágil nos próximos 5 anos e por que?

Descontaminar as organizações de abordagens orientadas a ferramentas.

A maior parte dos clientes com os quais trabalhei no último ano começaram sua transformação ágil adquirindo um "software ágil" e moldando seu modelo de trabalho de acordo com a ferramenta.

Com a facilidade de criação e aquisição de SaaS, este tipo de abordagem tem se mostrado cada vez mais comum por aqui, e percebi exatamente o mesmo comportamento em clientes na Europa.

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