Salger Oliveira


Qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis?

Tenho trabalhado com ágil na TQI nos últimos quatro anos, comecei como Desenvolvedor e depois Scrum Master no projeto de criação do portal mobile de uma grande empresa de telefonia. O grande desafio desse projeto foi implantar entrega contínua, uma vez que o cliente tinha uma mentalidade muito rígida. Nos últimos dois anos sou Agile Master em um time remoto, alocado no UOL, período em que aprendi muito junto com o time. Ter parte do time remoto foi desafiador no início, mas com o tempo fomos experimentando novas formas de trabalho e comunicação que nos permitiram ter um time que trabalha muito bem junto hoje. Um dos grandes desafios desse período, por atender à área financeira da empresa, acostumada a processos muito rígidos, foi conseguir aplicar os conceito de entregas fatiadas, baseadas em valor e experimentação, uma vez que os demandantes tendiam a ser muito resistentes à quebra das demandas em partes menores e priorização de acordo com o valor de cada parte.

Também faço parte de um grupo de Agile Masters na TQI que, no processo de transformação ágil da empresa, tem se esforçado para disseminar o pensamento ágil através muito estudo, colaboração e troca de ideias que tem levado a muitas mudanças na forma de trabalharmos e também à criação de várias iniciativas, como, por exemplo, a criação de comunidades de prática internas e o fortalecimento da cultura de colaboração e feedback. A partir dessas iniciativas, nesse último ano tivemos o privilégio de organizar um evento focado em agilidade na nossa cidade, Uberlândia, MG, no qual pude palestrar sobre promover a transformação digital através de pessoas, que foi um sucesso e ajudou pessoas de diversas empresas a repensar sua forma de trabalho. Os grandes desafios nesse processo são (1) lidar com clientes que não querem ser ágeis ou querem, mas não compreendem o que isso significa, de forma que precisamos conciliar dois mundos: o ágil no dia a dia dentro da empresa e o tradicional nos clientes, que muitas vezes trabalham com escopo fechado (2) e receber novas pessoas na empresa que não tem nenhuma vivência com agilidade e precisam aprender a pensar ágil e não apenas seguir cerimônias.

O que você planeja aprender ou explorar nesse Camp?

Quero aprender mais sobre como outras pessoas têm lidado com disfunções de seus times, como, por exemplo, a falta de confiança e comprometimento, que, no meu caso, tem levado alguns membros do time a serem distantes e omissos dos problemas do dia a dia. Preciso de ideias para motivar as pessoas do meu time a se sentirem donos do produto, e, por consequência, serem mais participativas e não terem receio de apresentar suas ideias, ajudando a melhorar os projetos, não apenas aceitando as imposições da equipe técnica do cliente ou vendo a si mesmos como meros executores de tarefas. Também quero ter ideias de como balancear a gestão ágil com clientes que não conseguem (ou não querem) ser realmente ágeis, por exemplo, em casos em que o cliente trabalha com escopo fechado e não abre mão disso.

Qual é o maior desafio para a comunidade ágil nos próximos 5 anos e por que?

É não deixar "Ágil" se tornar apenas um nome bonito para práticas antigas ou um termo usado pelo marketing, mas sim uma mudança real de pensamento, com entendimento dos princípios por trás da agilidade. Infelizmente muitas empresas se dizem ágeis como uma forma de atrair funcionários ou fazer marketing, mas, na prática, continuam trabalhando da mesma forma de sempre, acreditando que o simples fato de fazerem algumas cerimônias transforma completamente seu dia a dia. Essa mudança de pensamento que a agilidade deveria trazer para as empresas é a aplicação do Manifesto Ágil no dia a dia, com foco em entrega de valor e colaboração com o cliente.

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