Carolina Serpejante


O que você planeja aprender ou explorar no Agile Coach Camp e quais os temas que você quer ver discutidos?

Agilidade deveria começar sempre por desenvolvimento?

Acredito que muito das minhas dores com essa perguntas permeiam os outros dois assuntos que gostaria de discutir, mas vou dar um panorama geral aqui.

Na minha experiência com agilidade e conversando com outras pessoas, percebi que geralmente começamos dentro de um time, focando principalmente na eficiência do desenvolvimento de software. Nos últimos meses pude trabalhar muito próxima do capítulo de produtos e desde então penso se deveríamos estar começando o trabalho de agilidade por outro lugar, ou por que exatamente acreditamos que começar em desenvolvimento é a melhor abordagem. Pensando comigo, entendo que o desenvolvimento já é a ponta final da entrega de valor, e se não olharmos para as etapas anteriores seguiremos com impedimentos e dificuldade de fazer a coisa certa.

Pensando inclusive em empresa que não possuem times de tecnologia ou cujo core não é esse, como estamos conversando com essas pessoas? Trocando ideia com a comunidade percebo que entendemos exatamente como fazer um time de tecnologia rodar adotando conceitos ágeis, e quando expandimos para outros times tentamos encaixar o mesmo método. No passado trabalhei com agilidade em um time de jornalistas e outro de atendimento comercial, e inevitavelmente fazíamos um paralelo com tecnologia e tentávamos encaixar o funcionamento de um time em outro, além da dificuldade de abstrair os conceitos.

Agilidade e eficácia

Sabemos que ser eficiente é apenas uma parte do trabalho, e que é importante focarmos em fazer a coisa certa. Está dentro do papel de agilidade ajudar a organização/time a encontrar os melhores caminhos, certo? O quão próximos(as) nós somos das pessoas que estão “linha de frente” da eficácia, auxiliando e removendo impedimentos para garantir que os times estão fazendo a coisa certa? Queria discutir sobre esse assunto e entender como outras pessoas estão fazendo esse trabalho, como o nosso papel conversa com as pessoas que estão na “linha de frente” da eficácia nas organizações.

Visão sistêmica

O quão limitado pode ser nosso pensamento quando estamos imersos em um único time? Gostaria de conversar sobre essa fronteira - se é que ela existe - entre disfunções de um time pelo time e as disfunções que são resultados de um sistema e dificilmente são resolvidas “localmente”. Exemplo: um ambiente de homologação instável por dois dias pode significar pouco para um único time, mas em uma empresa com 10 times isso pode custar muito caro. Como identificar, evidenciar e mitigar essas disfunções?

Como você acredita que pode contribuir nessa edição do Agile Coach Camp?

Sou jornalista e pude trabalhar com agilidade em um time editorial, então posso trazer uma perspectiva de quem esteve fora da área de desenvolvimento. Também posso falar sobre cultura organizacional e avaliação de desempenho, pois participo ativamente nos grupos de cultura das últimas 3 empresas que trabalhei, desde 2014, inclusive ajudando na criação de novos valores para essas organizações.

Tenho experiência com métricas tanto de produto quanto de time, e posso contribuir em discussões sobre seus melhores e piores usos. Inclusive tive a oportunidade de compartilhar minhas vivências no assunto na Agile Brazil desse ano, com a palestra “Todas as vezes que usei as métricas do time para o mal”. Trabalhei durante 8 anos em uma empresa onde os dados eram lei e posso falar, da minha experiência, os ônus e os bônus desse modo de pensar.

Atuei brevemente como Product Owner de um time, onde tive a oportunidade de aprender sobre visão de produtos, então também posso contribuir com esse olhar em determinados assuntos.

Conte-nos qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis

Comecei a trabalhar como PO em 2015, mas só um ano depois fui entender o universo que existia além do scrum. A partir daí passei a querer estudar e entender sobre agilidade, estando presente na comunidade, frequentando eventos e buscando pessoas que pudessem me mostrar o caminho das pedras.

Sou jornalista por formação, e em 2017 recebi o desafio de juntar produtos e editorial, tocando a área de SEO do site Minha Vida em conjunto com a função de PO do time de tecnologia. Ao longo de 1 ano conseguimos dobrar a audiência do publisher, basicamente otimizando processos editoriais (remoção de impedimentos, gestão de fluxo, visualização do trabalho, etc) e trazendo uma visão de produtos para o time de repórteres - qual a coisa certa a fazer, como embasar essa decisão, qual nosso objetivo enquanto time, etc.

Essa experiência com agilidade me fez perceber que gostaria de viver o papel 100% do tempo. Atualmente sou agilista na Easynvest, onde estou aprendendo muito e vivendo na prática a transformação ágil de uma empresa em crescimento.

Voltar