Luana Monteiro


O que você planeja aprender ou explorar no Agile Coach Camp e quais os temas que você quer ver discutidos?

Gostaria de aprender e gerar discussões, ouvir opiniões e cases sobre como as organizações tem encarado suas transformações processuais, culturais, comportamentais e como a alta gestão tem impactado no desenvolvimento do negócio e da empresa.

Um dos maiores desafios que estamos passando no momento é a unificação de grupos pequenas empresas (unidades de negócio ) dentro de uma mesma organização, pois todas possuem processos, práticas, frameworks e sua própria identidade cultural.

Recentemente fizemos um planejamento integrado (PI planning) envolvendo mais de 230 pessoas de diversas unidades, com diferentes propostas, visão e skills. Entendemos que é só o início de uma jornada gigantesca com muitos desafios de alinhamentos e entendimento de propósito como uma só grande equipe.

Gostaria também de ouvir e discutir sobre como a construção do portfólio tem se conectado com a visão de produto em nível de time, como são feitas as definições dos objetivos, alinhamentos e envolvimento de equipes em consolidações estratégicas. Como tem sido a experiência das organizações e times ao uso do método de OKR.

Outro assunto que considero importante e gostaria de me conectar mais é sobre como as organizações tem envolvido o RH em suas transformações e quais são as as dificuldades encontradas em processos como: recompensas e incentivos monetários, metas compartilhadas, gestão de carreira, cargos, funções e responsabilidades, sistemas de avaliação, utilização de práticas de gestão 3.0, Cross training e Learning Matrix.

Como você acredita que pode contribuir nessa edição do Agile Coach Camp?

Acredito que posso contribuir compartilhando minhas experiências e desafios enfrentados no decorrer da minha carreira com desenvolvimento de software, agilidade, transformações ágeis em larga escala, gestão de pessoas e planejamento de produtos. Também, como as práticas de concepção de produtos tem ajudado a gerar propósito e senso de pertencimento com as equipes que trabalho, gerando melhores resultados à organização. Gostaria de compartilhar os aprendizados que obtive facilitando Lean Inceptions, em especial uma que não era de tecnologia, mas sim, para um programa de TV.

Conte-nos qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis

Em 2013 eu tive oportunidade de trabalhar com métodos Ágeis na IBM, como membro de um time ágil em desenvolvimento de software. Nós trabalhávamos com métodos tradicionais, tínhamos um escopo fechado e naquele ano passamos por mudanças estruturais e gerenciais. Fui transferida para um time que estava começando a trabalhar com Scrum. Quando me deparei com as cerimônias e alinhamentos contínuos, logo pude perceber o valor (principalmente porque as especificações dos códigos eram páginas extensas e demorávamos mais para ler toda especificação do que de fato desenvolver o código), foi aí que me “apaixonei” por métodos, práticas e frameworks. Comecei a estudar e me aprofundar nos conceitos e métodos e me tornei Scrum Master: atuei com dois times e foram diversos desafios, desde desafios do próprio método à desafios ligados ao time. Percebi ainda mais o valor das práticas e comecei a me desenvolver como líder.

Em 2015 recebi uma proposta para trabalhar como consultora Ágil no Itaú, para atuar em um COE, em um projeto de transformação ágil em larga escala, com as áreas de tecnologia e negócio. Começamos a transformação com conceitos e práticas do Disciplined Agile Development (DAD) e após um período piloto, com vários aprendizados, definimos que o SAFe seria o framework que se adequava mais a realidade e configuração do banco para escalar agilidade. Em paralelo, estávamos trabalhando fortemente com mudanças comportamentais e culturais utilizando métodos de Change Management da Prosci. Foi um desafio longo, difícil e muito inspirador.

Após termos implementado os Agile Release Train (ART), precisávamos manter toda a operação e parte da estratégia era contratamos agile coaches para evoluir os ART nas práticas. Nesse momento eu escolhi fazer parte da operação e trabalhar no dia a dia com as práticas que havíamos definidos no COE. Foi uma experiência muito importante para minha evolução profissional, pois estando dos dois lados pude reconhecer o quão falho podemos ser, quando não envolvemos todas as partes que podem e devem contribuir com uma mudança tão complexa e grandiosa como essa. Tive a oportunidade de trabalhar com 18 squads simultaneamente e desenvolver alguns pilares dentro desses times como: Empoderamento e liderança, práticas ágeis, evolução de maturidade. Quando senti que os times estavam evoluindo sozinhos eu percebi que havia feito meu papel e resolvi encarar um novo desafio.

Em 2019 recebi uma proposta para trabalhar na Globo, com uma experiência diferente, porém, complementar às que eu já havia passado. Passei a trabalhar com a gestão das pessoas, desenvolvendo suas carreiras, habilidades individuais e coletivas e entendendo-as como indivíduos, além de práticas e processos. Tem sido incrível poder fazer esse trabalho e unir agilidade e processos com pessoas, o “match” perfeito. Rs Tenho feito um trabalho cross organizacional e, ao mesmo tempo, time a time; Procuro entender as dores e ajudá-los a encontrar o caminho e ferramentas para conseguirem alcançar seus objetivos como equipes.

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