Lucas Salomão


O que você planeja aprender ou explorar no Agile Coach Camp e quais os temas que você quer ver discutidos?

Eu preciso ser sincero e não muito técnico aqui. O que eu aprendi através do mundo da agilidade é que os seres humanos precisam ser mais humanos e menos ferramentas. Então, quero ouvir falar dos conflitos que as pessoas passaram, como superaram, até onde a tecnologia ajudou e onde uma conversa foi suficiente. Eu falo isso, por que passei por situações como essas. E foram essas situações que me trouxeram até aqui. Mas, de forma prática, um tema que me intriga muito é a diversidade. A organização que trabalho guarda o tema dentro de baú intocável. E a gente está começando a ver uma certa movimentação agora. Até posso dizer que meu time se preocupa muito com isso. Porém, temos poucos “embaixadores” que estejam ativamente engajados nesse tema. Acredito que ainda vá ocorrer, é questão de tempo. Mas como eu, um rapaz de classe média alta, loiro, branco, de olhos claros, altamente privilegiado pela condição financeira da minha família, estudante de escola privada pela vida inteira, pode influenciar positivamente o ambiente que eu estou inserido na organização para que esses “embaixadores” surjam e sejam gigantes na defesa da diversidade. Eu aprendi recentemente que não posso querer agarrar e levar a bandeira de grupos pouco representados. Eu não vivo as dores deles. Por muitas vezes minha melhor contribuição é levantar a voz se houver qualquer ato prejudicial a um ambiente seguro, o qual tentamos nutrir dentro do time. Resumindo, quero debater sobre como proteger e alavancar ambientes seguros para que a diversidade promova mais colaboração e inovação. Também, como o desenho dos times podem influenciar no tema. Durante um treinamento com a Pia-Maria, foi passado uma ferramente muito interessante e simples, que se não me falha a memória se chamava Diversity Game. O jogo visava apontar o nível de diversidade de uma mesa, o objetivo era fazer um rodízio de mesas até que a diversidade aumentasse. Achei fantástico. Então, uma das minhas buscas, seria nesse caminho.

Como você acredita que pode contribuir nessa edição do Agile Coach Camp?

Eu tenho uma experiência riquíssima ao lado de pessoas incríveis vividos em 12 meses. Eu sou formado em engenharia de petróleo e não vou negar que me envolvi na área de engenharia atrás de sucesso e estabilidade financeira. Porém, quando me formei encontrei um mercado que prometia muito e cumpria pouco. Foi então que eu me envolvi com um time chamado XP Lab, um laboratório de experiências. Um time que trabalhava junto ao presidente da minha atual empresa, sem cadeias de aprovação direta, mas dentro de um ambiente organizacional que cresceu altamente verticalizado durante 77 anos. Sim, a empresa que eu trabalho é uma gigante da região norte que cresceu através de comando e controle. Enfim, meu time no início começou com 9 pessoas, sendo 8 pessoas sem qualquer experiência de mercado e muito menos sobre agilidade. O nosso 9º colega era um agilista que conhecia a comunidade e muitas das dores e dificuldades das organizações quando se tratava de humanizar processos e trazer a real inovação pra dentro do negócio. Posso dizer que foram 12 meses que evolui como ser humano, e é isso que quero levar para o Camp. É claro, isso além dos conflitos que enfrentamos e resultados que superaram as expectativas do projeto. Você já imaginou dois jovens, um de 23 anos e outro de 26 sem experiência de mercado e com apenas 6 meses dentro da sua empresa, ainda na currva de aprendizado, tocar o maior projeto de Usina Solar da Região Norte do país? Eu não. Mas com um time que compartilha o mesmo propósito, vontade de aprender e autogerenciável isso foi possível. Mas essa parte de negócios foi só consequencia.

Dentro dessa perspectiva posso compartilhar como foi o processo de recrutamento e formação do time do XP Lab utilizando a ferramenta do Moving Motivators do M30. Mostrando como o processo pode valorizar mais o aprendizado e não o nível de conhecimento das pessoas. Trazendo isso pra dentro do novo indíce que está sendo muito visto dentro de algumas rodas de discussões para os próximos anos, o QA (Quociente de Aprendizado) vs QI (Quociente de Inteligêcia).

Conte-nos qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis

Tudo começou em Janeiro desse mesmo ano (2019). Eu entrei pra organização sem saber o que faria e até mesmo com que tecnologia trabalharia. Minha primeira semana foi totalmente dedicada pra entender o tamanho da jornada que enfrentaríamos para trazer inovação pra dentro de um empresa de 77 anos de mercado que faziam as mesmas coisas ou que traziam cópias do mercado e aplicavam internamente. Durante os 3 primeiros meses nosso time ficou focado em automatização de processos. Era um produto que a empresa precisava e ao mesmo tempo nos permitia interagir com o maior número de pessoas da empresa. Detalhe, eu não sou da área de programação e muito menos sabia o que era automatização. Aliás, nem eu, nem meus outros 4 colegas que entraram junto comigo. Durante esse início de jornada, focamos em entender o trabalho do outro, nos desenvolver como equipe e criar uma base sólida com propósito. O aprendizado era contínuo dentro das ferramentes, e buscávamos sempre repassar o que vimos dentro das nossas tasks. Aprendemos juntos sobre Kanban, OKR’s, a importância de feedbacks contínuos, Sprints e reuniões semanais. Uma vez dentro desse barco, partimos pra dentro da empresa. Agora precisávamos levar o conhecimento para os que tinham abertura e estavam dispostos a aprender coisas novas dentro da empresa. Essa parte é louca, por que conhecemos pessos incríveis que com certeza não teriam oportunidade de fazer algo diferente e nós fomos capazes de tornal isso real para elas. Mas a parte “louca” é que hoje essas pessoas nos dão aula. Foi incrível, compartilhar, por que hoje recebemos. Acho que a jornada se resume a isso. É claro, nem tudo são flores. Enfrentamos muitos desafios, muitos conflitos com a camada de alta gestão. Processos que foram criados para manter pessoas confortáveis com seu capital social. Mas não tem pra onde fugir, através de uma comunicação aberta, transparente, rápida e de respeito, mesmo errando, conseguimos evoluir e hoje nosso time “no papel” tem 26 pessoas. Mas nossa comunidade dentro da empresa já passa dos 50. O desafio agora é encontrar pessoas que possam fortalecer essa base. Até por que todos têm seu tempo, não dá querer que a comunidade toda defenda igualmente os mesmos valores e propósitos. Viver sim, até por que isso remete a um ambiente livre e seguro pra que as pessoas se desenvolvam. Aliás, se é um ambiente para se desenvolver, temos que aceitar que nem todos precisam estar prontos. Novamente, objetivo é trazer mais pessoas pro fronte, cada um no seu momento.

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