Mariana Zaparolli


O que você planeja aprender ou explorar no Agile Coach Camp e quais os temas que você quer ver discutidos?

No Agile Coach Camp eu pretendo explorar bem as conversas, dinâmicas e networking para aumentar o aprendizado. Eu gostaria de discutir vivências de agilidade em escala exercitadas em organizações que atuavam (ou ainda atuam em alguma parte) de forma mais tradicional. Gostaria de ouvir dessas pessoas as percepções de redefinição de papéis, responsabilidades, entendimento das necessidades de Governança no modelo, da participação em cerimônias maiores como quem usa a PI planning do Safe e também percepções da atuação do middle management. Cada organização assume seu modelo de “times ágeis” definindo alocação dos times e como governá-los, mas de uma forma geral temos modelos parecidos acontecendo no mercado e em segmentos muito diferentes. Também neste contexto de escala gostaria de discutir como as empresas estão convivendo com times ágeis e as partes que seguem no formato tradicional e também como disseminar os valores da agilidade para toda a organização.

Outro tema que eu gostaria de discutir é RH (ou People). Carreira, desenvolvimento do colaborador, avaliação de desempenho, metas e bônus são aspectos muito importante para os estímulos de comportamentos. Gostaria de ouvir sobre experimentos e lições aprendidas nestes tópicos. Temos colegas da comunidade testando modelos organizacionais onde o colaborador define o próprio cargo e tem flexibilidade para atuar em funções diferentes, eliminando assim o que chamamos de “Trilha de Carreira”. Tem outros que eliminaram a posição de chefia, definindo responsabilidades em outros formatos. Várias hipóteses são verificadas nestes experimentos, inclusive a adesão das pessoas a estes tipos de modelos e também aspectos regulatórios como as leis trabalhistas que são muito enrijecidas. As organizações que estão se revisitando para atuar com maior Agilidade tem muito esta preocupação de definir cargos, salários e trilhas de carreiras. Porém será que esses aspectos são realmente tão importante como aparentam ser?

Por fim, budgeting é um tema muito interessante também. Orçamento é uma restrição organizacional poderosa, geralmente anual, que empurra um planejamento anual também com alto custo para se discutir alterações. Quando falamos de agilidade, ciclos curtos, experimentação, aprender rápido, uso de métodos como OKRs, a dinâmica não encaixa com orçamento tradicional. Então como as empresas estão adaptando sua forma de trabalhar com budgeting? Como estão exercitando a flexibilidade neste tema?

Como você acredita que pode contribuir nessa edição do Agile Coach Camp?

Acredito que posso contribuir externalizando minhas opiniões e vivências, tanto relacionadas aos temas que aparecem muito na Agilidade como métodos, práticas, skills, comportamentos, estruturas organizacionais, recrutamento, capacitação, gestão, governança, etc, como também as vivências em empresas tradicionais com desenvolvimento de software, governança de TI, gestão de pessoas, etc, onde tive aprendizados importantes também para meu desenvolvimento. Costumo ser bem participativa em discussões e sempre que possível gosto de trazer exemplos reais para não ficar somente na teoria. Como gosto muito de estudar, procuro enriquecer minhas percepções constantemente e assim ampliar minha capacidade de contribuição para as discussões. Posso apoiar também com facilitação de sessões do evento. Por fim, posso contribuir com uma trilha sonora de um luau, levando o violão para o evento 😊

Conte-nos qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis

Conheci Agilidade em 2012/2013 quando eu trabalhava como gestora de times de desenvolvimento no Itau, atuando em sistemas da Tesouraria. A principal atuação era nos sistemas de Riscos e eles geravam um enorme gargalo no lançamento de novos produtos. Na época o banco era muito tradicional e era muito desgastante a nossa realidade, as alterações organizacionais não geravam impactos positivos relevantes e eu já estava pensando em abandonar essa carreira de tecnologia quando um novo gestor (Sandro Manteiga) assumiu a estrutura que eu estava e me orientou a estudar Agilidade. No início de 2013 eu mudei a minha área, montamos times Scrum, eu virei PO desses times e começamos a formar nossos Scrum Masters internos. Em 2014 conseguimos ampliar o trabalho e trouxemos os analistas funcionais de TI pra serem POs e em um das frentes de trabalho conseguimos trazer pessoas da área de negócio para a dinâmica do time, a gente mesmo capacitava o pessoal. Em 2014 uma frente regulatória anual que foi totalmente conduzida com dois times Scrum entregou além do previsto, o que foi inédito. Não conseguíamos fazer experimentação com clientes nesta frente, mas o trabalho orquestrado com cadências, métricas, cerimônias, engajamento e senso de time geraram ótimos resultados. Em 2015 eu decidi sair do banco e assumir uma área de Governança de Portfólio e Agilidade Organizacional no PagSeguro. A empresa estava em pleno crescimento, já trabalhava com Agilidade mas de uma maneira muito desordenada e desalinhada. Foram 4 anos a frente dessa área, construímos uma Governança de Portfólio Lean, usando processos enxutos e artefatos como Canvas e Kanban. Montei um time de Agile Coaches que atuavam nos aspectos sistêmicos da empresa em relação a agilidade: processo de recrutamento, onboarding, assessment, treinamentos, fomento de comunidades, pareamento com agilistas em formação e imersão em áreas para aceleração da resolução de problemas de processo de trabalho (tivemos ótimos resultados em áreas além de tecnologia, como Operações, Atendimento e Jurídico). Ao longo desse período o PagSeguro se tornou uma referência de empresa ágil no Brasil, foi um trabalho construído por muita gente mas fico muito segura sobre nossa forte contribuição para os resultados da empresa como agentes de fortalecimento cultural e alinhamento organizacional. Ao longo desses 4 anos comecei a participar ativamente da comunidade de agilistas, compartilhando experiências nos eventos com palestras, workshop, open spaces, fishbowl, etc, também em meetups e eventos internos de empresas. Em 2019 decidi conhecer a vida de consultoria e decidi ir para Bain & Company. Essa mudança me deu possibilidades de conhecer os contextos de outras empresas, ampliar minha visão organizacional e acelerar os aprendizados. Tem sido uma experiência muito rica interagir com várias organizações no seu processo de desenvolvimento de Agilidade e poder discutir soluções dos problemas que surgem no processo de mudanças cultural e organizacional.

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