Mudança de data

Devido ao agravamento da pandemia de Covid 19 tivemos de alterar a data do evento de Março para Abril, caso queira saber mais clique aqui.





Alysson Anthony


O que você planeja aprender ou explorar no Agile Coach Camp e quais os temas que você quer ver discutidos?

Sempre me interessei muito pela agilidade do ponto de vista do relacionamento entre as pessoas e o caminho de desenvolvimento individual de cada um. No momento estou particularmente interessado em:

1) Os agilistas estão matando a agilidade?

Nos últimos anos observei uma busca por "agilização desenfreada" por todo o mercado de tecnologia. Empresas querem ser ágeis sem saber o motivo, pessoas querem se tornar "agile coach" sem ter tido nenhum contato ou experiência na área.

O "glamour" de cargos como "agile coach" é realmente necessário? Qual é o próximo passo quando "agile coach" se tornar um termo saturado, "expert agile coach plus"? Quando vender e implantar agilidade a todo custo passa a ser um detrimento para negócios e a comunidade ágil? Como dizer NÃO para a agilidade respeitando os negócios e a comunidade? Como cessar a busca por receitas prontas e fomentar pensamento racional e crítico sobre a agilidade?

2) Precisamos resgatar as origens da agilidade?

Tenho observado também um crescimento rápido no número de práticas e ferramentas sobre agilidade, o que parece ter seguido de mãos-dadas com uma nova onda de geração de conteúdo dos últimos anos. Será que realmente precisamos de soluções cada vez mais específicas? Até quando o compartilhamento de práticas e experiências sem delimitação de um contexto é útil?

Precisamos resgatar os valores e princípios do manifesto ágil? O quanto esses valores e princípios são aplicáveis por si só? Após 20 anos de sua criação, o manifesto ágil ainda pode ser tomado como verdade absoluta de pensamento a seguir?

Como você acredita que pode contribuir nessa edição do Agile Coach Camp?

Gosto muito de atuar como facilitador em discussões, tentando equilibrar exposições fervorosas com o respeito ao espaço para voz de cada um. Tenho uma certa aversão a seguir cegamente grandes nomes; acredito que as experiências pessoais de cada um podem trazer ideias e discussões relevantes, principalmente se identificarmos os contextos e parcialidades existentes nas experiências vividas por cada um.

Posso contribuir também com uma visão multifacetada de quem já assumiu vários papéis: desenvolvedor, líder técnico, analista de negócios, gerente de projetos, scrum master, product owner, dono de empresa de desenvolvimento de software, recrutador de talentos, designer, vendedor, facilitador, consultor de agilidade.

Conte-nos qual é a sua experiência colaborando para que equipes e organizações sejam ágeis

Comecei a atuar como desenvolvedor em 2004, em uma empresa de professores da UFMG chamada ATAN. Anos depois fui promovido a líder, pouco antes da empresa ser comprada pela Accenture. Meu primeiro contato com a agilidade foi o pior possível, quando os gerentes fizeram CSM e implantaram um sistema de metas semanais para as equipes. Atuei em vários papéis tentando salvar um projeto que contava com 100 desenvolvedores, 12 gerentes e que respondia diretamente para os Estados Unidos pois todos os indicadores sempre estavam no vermelho. Quase não tive vida pessoal e compartilhei com minha equipe muitas noites viradas à base de red bull.

Em 2012 saí da Accenture para fundar minha própria empresa de desenvolvimento. Revisitei a agilidade para entender melhor quais processos gostaria de utilizar na empresa. Me apaixonei e logo fiz cursos de CSM, CSP e CSD.

Como dono de uma empresa de pequeno porte, pude utilizar o ambiente como laboratório e experimentar e elaborar todo tipo de prática relacionado à agilidade. Já formei por volta de 6 equipes diferentes, já "quebrei" a empresa duas vezes e desde 2018 o contexto da empresa começou a limitar o que posso aprender e aplicar.

Para continuar minha jornada de aprendizagem, nos últimos anos passei a atuar mais com facilitação e consultoria fora da minha empresa, buscando novas experiências, diferentes contextos e novas oportunidades de desafio.

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